
“Se eu não fosse escritor eu seria jardineiro.”
Caio Fernando Abreu - (12/09/1948 - 25/02/1996)
Se estivesse entre nós, Caio faria hoje 61 anos.
Dono de um grande talento para escrita, foi jornalista, contista e um dos melhores escritores de cartas da literatura brasileira.
Intenso, atrevido, excêntrico... Profundo.
"De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na
boca - de vodca, de lágrima e de café."
Assim era o gaúcho Caio Fernando Abreu, natural da pequenina Santiago no interior do RS, mas que tinha o mundo escondido na palma de sua mão. Amava Paris, Londres e principalmente Berlim, o centro do mundo na visão dele.
"Quando você não tem amor,você ainda tem as estradas."
Seu talento rompeu fronteiras, seus livros foram traduzidos para vários idiomas. Ganhou prêmios literários. Viveu intensamente os loucos anos 70 na imensa São Paulo. Curtiu a juventude... Até o dia 25/02/1996 quando perdeu sua batalha contra o vírus do HIV.
"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no
coração,só não se perca de mim."
"Não é verdade que as pessoas se repetem. O que se repetem são as situações."
Fui apresentada a obra do Caio quando li o conto Para uma Avenca Partindo, do livro Morangos Mofados, que ao meu ver é a melhor obra dele.
Segue um trecho:
Gostei tanto do conto que li o resto do livro e gostei tanto do livro que o comprei depois, e gostei tanto que li outros contos, outros livros e comprei outros também.
Para mim, a obra de Caio sempre remete a imagem "reconstrutiva" do outono. Silêncio. Praças públicas em dias nublados. Estradas molhadas pela chuva. Pontos singulares e minúsculos de uma conversa ou de um movimento qualquer. Rosas deixadas nas janelas e cartas... Sim muitas cartas...
"Nunca mais o amor era o que mais lhe doía, e de todas as dores, a única que ele jamais confessaria."

"Não adianta,não sei explicar . As palavras traem o que a gente sente."
Inventário do irremediável (contos) - 1970.
Limite branco, (romance) - 1971.
O ovo apunhalado, (contos) - 1975
Pedras de Calcutá, (contos) - 1977
Morangos mofados, (contos) -1982
Triângulo das águas (novela) - 1983
As frangas, ( novela infanto-juvenil) - 1988.
Os dragões não conhecem o paraíso, ( contos) - 1988.
A maldição do Vale Negro,(peça teatral) - 1988.
Onde andará Dulce Veiga?, (romance) - 1990.
Ovelhas negras, (contos) - 1995.
Mel & girassóis, antologia.
Estranhos estrangeiros, (contos) - 1996.
Pequenas Epifanias, ( crônicas) - 1986/1995
Teatro completo, 1997
Cartas, correspondência. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002 (organização de Ítalo Moriconi).



