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domingo, 24 de novembro de 2013

A Caça (Jagten)

Até que ponto a afirmação de uma criança tem mais impacto que a negativa de um adulto?


Título: A Caça (Jagten)
Ano de lançamento: 2012
País: Dinamarca
Direção: Thomas Vinterberg








Na narrativa, Lukas um professor do jardim da infância,  interpretado pelo muito expressivo Mads Mikkelsen (de O Amante da Rainha, 2013), é acusado de assédio por uma de suas alunas e filha de seu melhor amigo. O ocorrido faz com que os moradores do bairro o persigam exigindo justiça.

Alguns trechos, a seguir, podem conter spoilers que revelam o desfecho 

O filme consegue agrupar muito bem os elementos que se combinam para que o drama ocorra:
Lukas, homem mais velho, separado, sem a guarda do filho adolescente, sem namorada, adorado pelas crianças da creche onde trabalha. 

Klara, aluna de Lukas e filha do seu melhor amigo, que carrega consigo uma paixão platônica e infantil por Lukas que pode ter se desenvolvido devido ao carinho quase paternal que este tem por ela.


No auge de seu sentimento infantil, sente-se preterida e então decide acusar Lukas de assédio. Talvez nem ela imaginava o mal que poderia estar fazendo. 

A excelente fotografia em tons de sépia e cinza conduzem o espectador a um cenário melancólico que emoldura muito bem a estória.

Quando os personagens ficam a par da acusação, é possível ver a vida do professor mudar radicalmente, se desintegrando aos poucos e de forma dolorida. Chega um momento que é impossível não questionar-se sobre o limite que um ser humano consegue suportar sem explodir, sem revindicar a verdade. O personagem Lukas quebra todas essas expectativas quando, mesmo diante de toda a situação,  se cala, não se defende, não acusa, não exige a verdade. Tal comportamento deixa claro que a vontade dele é que aquelas pessoas jamais duvidassem da sua integridade moral. Jamais acreditariam em tal boato. E que elas, por si só, tivessem bom senso e entendessem que a situação é descabível. Mas de nada adianta, pois a afirmação quase detalhada da criança acerca do suposto assédio alavanca ainda mais a ira dos vizinhos contra ele.

Conforme o filme decorre, vê-se que ao lado de Lukas permanecem poucas pessoas, sendo uma delas o filho que luta pela inocência do pai e também sofre duras penas por ter optado defendê-lo e um outro amigo. Enquanto que do outro lado, o amigo e pai da menina, luta contra seu bom senso e confiança para acreditar que a acusação da filha é verdadeira, e é persuadido pela esposa a acreditar na  acusação. 

O filme vale porque faz refletir e pensar em quantos fatos tomamos como verdade por esses persuadirem nossos olhos e ouvidos. Até que ponto o que se mostra tão evidente seria mesmo a verdade absoluta? Seria mesmo verdade que crianças não mentem?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Jovem Rainha Vitória

A Jovem Rainha Vitória ( The Young Victoria)

Origem: Inglaterra
Gênero: Biografia, drama histórico
Ano: 2009
Direção: Jean-Marc Vallèe

Nesta película  a jovem Victoria (Emily Blunt) nos mostra que uma vida de princesa não é o conto de fadas que muitas moças almejam vivenciar. A protagonista revela a  infância melancólica carregada de restrições e protecionismo por parte da mãe, a princesa Victoria de Saxe-Coburgo-Saalfed (Duquesa de Kent) (Miranda Richardson) e seu ambicioso conselheiro Sir John Conrey (Mark Strong) o qual  nutria desejo por governar a Inglaterra através de Victoria. A pequena princesa sentia-se aprisionada ao palácio, pois tinha uma educação isolada não tendo permissão de frequentar a escola junto das demais crianças, não podia degustar da própria comida, ler livros populares nem descer as escadarias sem estar apoiada na mão de um adulto.

Em 1838, após a morte do Rei Guilherme IV, Victoria, então com 18 anos, é coroada a Rainha da Inglaterra. A partir daí somos apresentados ao mundo do poder, onde a aproximação das pessoas fortalece os cuidados e a desconfiança, pois estas vêm com intuito de se aproveitar e persuadir a jovem rainha. Disputas e assuntos políticos são debatidos. 
Em meio ao fervor politico e pessoal, Victoria é aconselhada a casar e seus pretendentes são indicados pelos próprios membros da coroa com intuito de unir pessoas para fortalecer laços políticos entre os reinos. A mãe da rainha e seus dois irmãos, o rei Leopoldo da Bélgica e o Duque Ernesto de Saxe-Coburgo-Gota, queriam vê-la casada com o primo Alberto (Rupert Friend), filho do Duque Ernesto. Por outro lado, o rei Guilherme IV, queria ver a sobrinha casada com o príncipe Alexandre dos Países Baixos. 

Mas durante uma visita a Inglaterra a mando do tio, Alberto causa boa impressão em Victoria, finda uma amizade com ela baseada em ideais e temperamentos parecidos. Essa amizade evolui para trocas de cartas e confidências. Tal proximidade entre eles deixa clara a preferência de Victoria pela companhia de Alberto a qualquer outra. Assim, após a segunda visita de Alberto a Inglaterra, Victoria apaixonada por ele o pede em casamento. 


Coroação de Victoria.

Segundo o diário da rainha, Victória se referia ao marido da seguinte forma:

"Alberto é extremamente bonito, seu cabelo é da mesma cor do meu, seus olhos são grandes e azuis e tem um lindo nariz, sua boca é muito doce e tem bonitos dentes. Mas o charme do seu rosto é sua expressão, que é muito agradável."

A paixão que faz com que Victoria peça o primo em casamento é até hoje tomada como referência de ousadia e modernidade por ter ocorrido numa época em que os casamentos não passavam de contratos comerciais. 
Além do casamento por amor, algumas fontes atribuem a Victoria o uso do vestido na cor branca como sinal de pureza, pois até então era na cor azul e ela foi a primeira soberana a cobrir o rosto com véu em sinal de confiança no marido.

O filme retrata a Era Vitoriana, um importante período finissecular, que se deu entre 1837-1901. Sendo este o reinado mais longo da história do Reino Unido.

Voltando a película vale lembrar que o filme foi indicado a três categorias do Oscar 2010: Melhor figurino, direção de arte e melhor maquiagem. Venceu como melhor figurino, apesar de ter merecido ganhar nas outras categorias também.
O figurino de A Jovem Rainha Victoria é uma reconstrução muito requintada do vestuário do século 19 e é tão fiel que um dos vestidos usados no filme trata-se de uma replica do vestido usado pela verdadeira Victoria. 



O cenários foram tão detalhada e cuidadosamente preparados que durante os 105 minutos de filme,acreditamos estar mesmo na Inglaterra Vitoriana e, diante de um amor tão verdadeiro, acreditamos que conto de fadas existe ou, pelo menos, existiu.

Boa sessão.





sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Miss Austen Regrets

Miss Austen Regrets (TV)

Origem: Inglaterra
Gênero: drama/biografia
Ano: 2008
Direção: Jeremy Lovering

O longa inicia em 1802 quando, impulsivamente, Jane Austen já com 27 anos aceita o pedido de casamento de Herris Big-Wither, porém ela volta atrás e desfaz o compromisso no dia seguinte. Teria sido esse o grande arrependimento de Jane Austen?

Com belíssima fotografia e figurino, o filme consegue transportar quem assiste, precisamente, para a  Inglaterra da época de Jane Austen, guiado pela deliciosa trilha sonora assinada por Jennie Muskett. 

No papel principal está Olivia Williams, que faz uma Jane muito expressiva que ataca o telespectador com olhares duros, sarcásticos e, por vezes, tristes. O drama foca-se nos últimos anos de vida de Austen, já escritora conhecida que, beirando os 40 anos, precisa defender-se do sarcasmo, do deboche e das críticas que recebia por ainda estar solteira e sem perspectiva de casamento. Diferente do filme biográfico Amor e Inocência (2007), nessa película mostra uma Jane Austen determinada, madura e inteligente que leva o espectador a mergulhar no mundo da escritora que, diferente de seus personagens, não deu a sua vida o mesmo desfecho que deu a eles. 
O filme também mostra as dificuldades que ela encontrou para conseguir publicar seus livros, e como enfrentou a oposição da família e amigos devido a sua decisão por permanecer solteira.

Jane Austen (Olivia Williams) em Miss Austen Regrets (2008)


Em alguns momentos, vê-se claramente autor e personagem se fundirem, o que leva-se a pensar que suas estorias não eram apenas frutos da imaginação, mas sim de um cotidiano muito vivenciado pela autora e/ou por pessoas próximas. De certa forma, acalenta aos leitores apaixonados por suas estórias pensar que seus personagens foram criados a partir de seres reais. 

O amor fraterno, sempre tão presente e salientado nas obras, é percebido o filme pelo sentimento de cumplicidade, confidência e amizade entre Jane e sua irmã Cassandra - A melhor amiga. E foi nas cartas trocadas entre as irmãs Austen que o roteiro deste filme se baseou. Assim como as anotações no diário da sobrinha Fanny Knight, mostrada no filme como uma moça sonhadora e romântica que, assim como as personagens da tia,  buscava o amor verdadeiro, no fervor de seus 20 anos.

Jane e a irmã Cassandra (Greta Scacchi)

Ainda contrastando autor e obras, no filme nota-se que Jane Austen tinha noção de que não poderia vivenciar o que propunha nos seus livros, o que leva-nos a crer que suas obras eram uma fuga da vida real. Em alguns momentos vê-se que sua armadura forte e impermeável era a proteção para seu coração solitário, triste e decepcionado.  


Apesar de escritora conhecida, a vida de Jane Austen é um tanto escusa, logo não é possível saber se a escritora foi a heroína de sua própria história, a dona de seu destino ou vitima dele. Assim como não é possível saber até que ponto a narrativa do filme é fiel a realidade e se Jane teria mesmo renunciado ao casamento para que pudesse continuar a escrever. De qualquer forma, os leitores agradecem.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Entre os Muros da Prisão

Entre os Muros da Prisão (Hauts Murs, Les) 

Origem: França
Gênero: Drama
Ano: 2008
Direção: Christian Faure







Tenho muito apreço por filmes franceses porque em geral, são filmes que trabalham muito bem a estória que sustenta o enredo, sempre evidenciando o lado pessoal e sentimental dos personagens. O ritmo lento do desenrolar das falas, atitudes, que para muitos é irritante, para mim é convidativo. É o tipo de filme que as ações substituem aquela infinidade de falas, o que, pessoalmente falando, acho bem chato.

No belo filme de Christian Faure, mergulhamos num orfanato masculino para onde eram destinados os meninos órfãos de guerra. Entre os internos está Yves Treguier, órfão de 14 anos que já havia passado por vários internatos de onde sempre tentou fugir. Seu sonho era chegar ao porto e tomar um navio com destino a América, especificamente, Nova Iorque.

Os cenários do loga, bem destacados em tons de cinza expressam muito bem o sentimento de fuga que aqueles meninos sentiam, pois estavam "presos" e esquecidos pelo resto do mundo num local que pouco parecia com um orfanato e sim com uma prisão, um campo de concentração. Onde educação e instrução, que deveriam ser prioridade, eram deixadas de lado em troca de opressão e castigos cruéis.  



Os muros altos do orfanato impedia que a paisagem de fora assim como as informações chegassem aos internos. Da mesma forma que quem estava de fora pouco sabia do que ocorria lá dentro. A lei da sobrevivência e proteção era aprendida dentro do instituto por cada um deles, muitas vezes de forma bruta e desumana.
Claro que o filme esbarra nos velhos clichês como o badboy  e líder da turminha do mal. O garoto franzino  e tímido. O riquinho que não conseguia se adaptar. O protetor que enfrentava o malvadão e etc. Mesmo assim, não é algo que desmereça o valor final da obra.

Apesar da realidade que viviam, eles tinham sonhos, porém alguns desistiram pelo caminho, outros optaram pelo caminho mais fácil. Enquanto Yves trazia consigo o desejo de alcançar a América e este desejo estava traçado num mapa onde ele fazia sua viagem imaginária.

É válido assistir e pensar no valor que damos aos sonhos e o quanto lutamos por eles. As vezes uma dificuldade nos faz desistir, enquanto que para outras pessoas como foi para Yves, as fortalecem.




*Yves Treguier é o nome do escritor August Le Breton que escreveu um livro contando as experiências que vivenciou no orfanato. O roteiro do filme foi baseado neste livro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Madre Joana dos Anjos (Matka Joanna od aniolów)


Origem: Polonia
Gênero: Drama
Ano: 1961
Direção: Jerzy Kawalerowicz


Talvez um dos primeiros filmes que aborda o tema possessão de forma tão marcante ao se tratar de um convento cujas freiras estão sofrendo possessões demoníacas.



A estoria se passa numa região isolada da Polônia no século XVII, e a situação sofrida pela irmãs atrai o padre Jozef Suryn (Mieczyslaw Voit) que tenta expulsar as 6 entidades malignas que maltratam a madre superior Joana (Lucyna Winnicka).



Clássico do cinema polonês, com boas atuações, fotografia e trilha sonora. O expressionismo e a bela atuação de Lucyna Winnicka, nos leva a sentir o que a personagem sente. 


Causou polêmica quando foi lançado, sendo até mesmo proibido em alguns países. Pudera, pois falar de possessões já deveria ser um assunto delicado para a época, e ainda mais tratando-se de um convento.




(Fonte: Interfilmes, Entre a Galhofa e a Melancolia)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Beleza Roubada

Beleza Roubada: Para assistir sem pressa

“O amor não existe, somente as provas de amor”


SinopseApós o suicídio de sua mãe uma jovem de 19 anos (Liv Tyler) viaja para a Itália, com o propósito aparente de reencotrar alguns amigos e ter seu retrato pintado, mas planeja rever especialmente um jovem com quem ela dera seu primeiro beijo, quatro anos antes. Simultaneamente pretende decifrar um enigma que foi encontrado no diário da sua mãe, mas gradativamente sua presença exuberante transforma a vida dos seus amigos.



Dados Técnicos

Origem: EUA, Itália
Gênero: Romance
Tempo de Duração: 114 minutos
Ano de Lançamento: 1996
Direção: Bernardo Bertolucci

Elenco
Liv Tyler, Carlo Cecchi, Sinéad Cusack, Joseph Fiennes, Jason Flemyng, Anna-Maria Gherardi, Jeremy Irons, Ignazio Oliva, Rachel Weisz ...

Cuidado: Spoilers

Esses dias revi um filme que marcou muito minha adolescência. Pois ficou guardado em mim a imagem da Liv escrevendo poesias em pequenos papéis e depois queimando-os. E aquela cena maluca dela cantando alto e pulando com o fone no ouvido... Exteriorizando a felicidade que tomou conta de seu corpo após ela ter reencontrado seu amor de adolescente. Muito comum, acho que todas as meninas se identificariam com esta cena.
Estou falando de Beleza Roubada, de Bernardo Bertolucci.

Admito que não foi de primeiro que captei a essência dessa belíssima obra, até porque não se trata de um filme na qual se absorve toda sua essência de primeiro... Exige tempo e talvez maturidade.

Numa passada lenta e com cor intensa, aos poucos as cortinas se abrem e vamos penetrando numa estória envolvente de amor, desamparo e busca, mas muito diferente dos dramas retratados em Hollywood. - Beleza Roubada é poético, simples e surpreendente.
Não é o melhor filme que já vi, com certeza, mas sua temática ajuda a quebrar muitos protocolos.
Principalmente porque todos os temas são muito bem temperado com ingredientes fortes tais como sexo, nudez , drogas e diálogos quebrados. Falas em inglês e italiano.
E é neste conjunto que surge Lucy (Liv Tyler), uma menina de 19 anos que tem guardado consigo um enigma: Descobrir quem é seu verdadeiro pai.
Para isso ela precisa voltar a Itália seguindo uma pista deixada no diário de sua falecida mãe.


Acontece que a presença de Lucy causa uma reviravolta entre os moradores da pacata cidade e muitas verdades vem a tona. A mistura de personagens torna a estória intrigante, porque também recai sobre nós (expectadores) a tarefa de ajudá-la a descobrir quem é seu pai. E a descoberta se dá de forma emocionante. Como os muitos outros enigmas do filme.

Jeremy Irons ele estava triunfante (como sempre). Ele interpreta Alex, um escritor a beira da morte que desenvolve por Lucy um sentimento fraterno e que as vezes beira a um paixão platônica e instanânea. Seu personagem esguiu, solitário e intelectual lembrou fortemente Caio Fernado Abreu (escritor que admiro efusivamente e ainda falarei dele por aqui).

Outros ponto positivos são as belas paisagens de Toscana, que o filme aproveita muito bem, e a deliciosa trilha sonora.
E quando estamos todos envolvidos em saber quem é o pai de Lucy, eis que a estória se volta para outro ponto: Sabemos então, que existe um outro próposito em ela querer visitar os amigos na Italia: - Reencontrar Nicolo; o rapaz com quem deu seu primeiro beijo quatro anos antes. E é para Nicolo que ela guardou sua virgindade.


Porém, o que ela não espera é que Nicolo tenha mudado tanto, ou era ela quem tinha criado falsas expectativas. Durante os quatro anos que seguiram, eles trocaram cartas, com textos de auto teor literário na qual uma delas Lucy decorou de tanto ler e reler. Mas ao reencontrá-lo, não encontra nele o mesmo autor de tais cartas. E é aí que inicia um dos pontos surpreendentes do filme: Fica explícito que Lucy amava na verdade as cartas e não Nicolo. Pudera, não era ele quem as escrevia e sim seu amigo Oswaldo para quem ela finalmente entrega sua virgindade numa cena digna das grandes estrelas de Hollywood.
E é com esta cena que entendemos porque ela faz bom uso do sobrenome Tyler.
(fontes: Interfilmes)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Todas as Manhãs do Mundo

Dica de cine Francês.


Sinopse:

Em pleno século 17, um músico da corte de Luiz 14 relembra sua introdução no mundo artístico supervisionado pelo seu rigoroso mestre de viola de gamba.

Informações:
Direção: Alain Corneau
Ano: 1991
País: França
Gênero: Drama/romance/musical

Elenco:
Jean-Pierre Marielle, Gérard Depardieu, Anne Brochet, Guillaume Depardieu, Carole Richert, Michel Bouquet, Jean-Claude Dreyfus, Yves Gasc, Jean-Marie Poirier, Myriam Boyer



Impressões:
Produzido na França, em 1991, o filme narra o aprendizado, em pleno século 17, de um músico da corte de Luiz XIV relembrando a sua introdução no mundo artístico, supervisionado por seu rigoroso mestre da viola de gamba.
A música rege cada palavra de Todas as manhãs do mundo. E o espírito barroco, com seus claros/escuros, dá forma à história do encontro entre o mestre apolíneo e o discípulo dionisíaco, que se irmanam na busca da essência da música. De um lado, a disciplina e a morbidez, de outro a voluptuosidade e o gosto pela vida mundana, com suas glórias e riquezas.

Estamos em 1650. Época de Luís XIV, com suas perucas barrocas e rostos empoados. O senhor de Saint Colombe, o maior violista da França, sofre uma grande perda e se afasta do mundo, isolando-se numa cabana nos jardins de sua propriedade, nos arredores de Paris. Seu único prazer é a viola de gamba, que ele revoluciona ao acrescentar mais uma corda ao instrumento e mudando até a forma de segurá-lo. A viola, parente próxima do violoncelo, era então o instrumento predileto das cortes francesas e inglesas.
Depois de insistentemente desprezar os convites para se unir aos músicos da corte, o virtuose aceita apenas um discípulo, o filho de um sapateiro, chamado Maran Marais, que acabaria aclamado como um gênio renovador da viola de gamba.

O filme Todas as Manhãs do Mundo, estrelado por Gérard Depardieu e seu filho Guillaume, despertou comoção na França, à época do seu lançamento, assim como a sua trilha sonora, que reúne antigos solos de viola da gamba. Foi vencedor do prêmio César – Oscar francês - de melhor filme e melhor diretor, em 1992.

Belíssimo filme com também belíssimas fotografias. Vale conferir a raridade.
*

(fonte: brasil fator)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Dança dos Vampiros


Sinopse

Ambrosius (Jack MacGowran) é um professor universitário especialista em vampiros que decide ir até a Transilvânia, no coração da Europa Central, acompanhado de seu fiel discípulo Alfred (Roman Polanski), que infelizmente é bem medroso. Abronsius tem como objetivo aprender sobre vampiros e combatê-los, se possível, mas os fatos tomam um rumo inesperado e vão de encontro aos objetivos do professor.



Informações Gerais:

Título: A Dança dos Vampiros
País de Origem: Inglaterra
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 98 minutos
Ano de Lançamento: 1967
Direção: Romam Polanski

A primeira vez que assisti a este filme, foi numa época em que a Globo passava, nas madrugadas de sábado, clássicos do cinema. Era divertido e eu virava a noite vendo TV.

Bem , isto faz bastante tempo, ou eu que não tenho assistido a Globo há mais tempo ainda. Fica a dúvida. (risos) Qualquer dia desses voltarei a espreitar as madrugadas Globais, para ver o que anda passando por lá.

Eu sei, vocês devem estar achando estranho eu falar de um filme que aborda o vampirismo como tema central quando há tão pouco critiquei negativamente Crepúsculo.


Explico: Sempre gostei de vampiros no cinema, nos livros, em quadros e etc... A imagem do vampiro como aquele ser noturno e cheio de mistério sempre me fascinou, mas não gosto da forma como Crepúsculo trabalhou esse tema. Só isso.

Mas voltando...

Foi com este filme que vi, pela primira vez, um trabalho do Romam Polanski e ainda tive a sorte de ser este em que ele dirige e atua exercendo ambos os trabalhos de forma magnifica deixando explícito que o velho ditado: "quem manda melhor faz." Se aplica sim a vida real.
Depois deste filme, Polanski virou um vício para mim. Ainda voltarei a falar dele por aqui.



A Dança dos Vampiros (1967) é uma raridade, nunca encontrei-o disponível em locadoras e na TV é muito pouco visto. Caso você tenha a oportunidade de assisti-lo. Assista-o, pois vale a pena.


A abertua do filme já denota uma cor intensa. Ao fundo uma música profunda e melancólica.
Enquanto as letras com os nomes do elenco surge na tela, vai respingando gotas de sangue sobre esses. Na vez em que o nome de Sharon Tate aparece, o respingo ganha a forma de um sorriso. Obvio, Sharon seria a esposa de Roman posteriormente e se eles ainda não namoravam nesta época, já estavam meio entrosados. Acredito eu.
O filme é classificado como comédia, mas não é um filme de fácil riso. É uma comédia de humor sarcástico, ambientada sob um clima sombrio e de suspense onde o frio e as sombras ajudam a compor os belos cenários desta película.

Ao longo do filme são poucas as falas, em geral substituídas por gestos, expressões e movimentos.
Alfred (Polanski), apesar de ser o discípulo de Ambrosius, é um sujeito medroso e isso fica bem saliente com suas falas num murmuro lento e constante. Olhar saltitante. Corpo trêmulo. Mesmo assim, é ele que tem o primeiro contato com os vampiros e não seu mestre que está a caça dos seres noturnos e daria tudo para ter contato com um deles.
Em meio a essa busca pelas criaturas vampirescas, Alfred apaixona-se por Sarah (Sharon Tate), a filha do dono da pousada onde eles se hospedam quando chegam a Transilvânia. Ele desespera-se ao vê-la sendo mordida pelo Conde Von Krolock e, a seguir, sequestrada pelo mesmo até sua assombrada morada: Um castelo na colina. Assim, a expedição ao castelo ganha, para Alfred, mais um motivo, que eu diria até bastante passional. Pois ele só sossega quando consegue encontrar Sarah. Embora seja tarde demais.
No castelo, muitas cenas de comédia acontecem, tais como :Perseguições, confusões, descobertas e é claro algumas cenas assustadoras.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Nosferatu ( Uma sinfonia de Horrores)

... Dica de Cine Cult para uma dia qualquer...


Para quem curte cine cult recomendo assistir o clássico do expressionismo alemão Nosferatu - Uma sinfonia de Horrores (1922)



Sinopse
Em 1838, Hutter (Gustav von Wangenheim), agente imobiliário que mora em Wisborg, atravessa os Montes Cárpatos para vender uma casa em sua vizinhança ao proprietário de um castelo no Mar Báltico, o excêntrico conde Graf Orlock (Max Schreck), que na verdade é um milenar vampiro que, buscando por mais sangue, quer se mudar para a Alemanha. Ao chegar na propriedade que comprou, ele traz consigo grande terror e os habitantes acham que estão sendo vítimas da peste. A única que pode salvar as pessoas dos ataques do vampiro é Ellen, a esposa de Hutter, visto Orlock se sentiu atraído por ela.



Baseado na Obra de Bram Stoker, é talvez a adaptação mais fiel relacionada a lenda vampiresca. Teve que ter o nome de seus personagens alterados devido a problemas com os direitos autorais. Falando mais abertamente, os herdeiros de Stoker não permitiram o uso da obra.

Vale o aviso, se você for assistir Nosferatu achando que vai se deparar com vampiros sedentos, sangue escorrendo pelo pescoço, punhos... Vai se decepcionar. Nosferatu tem clima gótico, sombrio e ambientado em pesadelos e sonhos ruins.
Gira em torno do Conde Orlock, interpretado magistralmente por Max Schreck.
A escolha do ator não poderia se melhor. Max Schreck e sua "natural" ausência de beleza ajudou a compor a imagem aterroriante do Conde Orlock, uma criatura pestilenta, doentia e estranha. Esguio, magricelo, dentes frontais mais afinados e compridos, orelhas pontudas, andar lento e olhar calculista. Uma típica criatura noturna e horripilante.


O nome do filme faz justiça, Nosferatu é uma palavra moderna derivada da palavra em eslavo antigo Nosufur-atu, extraída do grego Nosophoros, Portador de Pragas." - J. Gordon Melton.


(fontes: Wikipedia, telacritica,boca do inferno)

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